segunda-feira, 7 de maio de 2012

Nota de solidariedade - Ana Maria Araújo Freire


Caro Marcelo e família,
 
como falar que estou solidária com a dor de todos vocês? Da pergunta, da dúvida, de anos de espera vã até surgir esta notícia de agora que nos causa a todos espanto, perpexidade e indignação !!!
Estou estarrecida com mais este ato ignóbil dos militares “que lutavam para o bem do Brasili”, que, na verdade, apenas provocaram e vem provocando dores enormes, tristeza profunda Dor grande sinto, choro com toda a sua família, sobretudo com sua mãe essa dor-maior que uma mãe pode passar
 
Não conheci pessoalmente seu irmão FERNANDO AUGUSTO, mas era muito próxima da familia Collier. De Risoleta, Eduardo, Lilia, Delinha, Luiz , Camilo e Pedro Collier, que foi casado com uma prima minha, Lúcia. Conheci Eduardo ao nascer gêmeo de Dadá. Acompanhei um pouco sua infância até vir morar, em São Paulo.
 
Há que se investigar a veracidade dessas denúncias e o parabenizo pela carta enviada ao Ministro José Eduardo. De alguma forma há que haver justiça. Alguma justiça aos algozes da nação. Há que se resgatar os nossos herois, gente jovem que deu sua vida por um país melhor e mais justo. Há chegada a hora!!!! Meu marido Paulo Freire lutou por isto: a hora da verdade que não pode ser considerada como a hora da vingança.
 
Meu enorme abraço a você e toda a família. Um especial à sua mãe.
nita freire
 
Ana Maria Araújo Freire
(Viúva do Grande Educador Paulo Freire)

2011 Ano Comemorativo dos 90 anos de Nascimento de Paulo Freire

Petição solicita investigação de assassinatos descritos no Livro "Memórias de uma Guerra Suja"

Petição encaminhada por Marcelo Santa Cruz, ao Sr. Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, solicita apuração dos casos relatados no Livro "Memórias de uma Guerra Suja", de autoria de Marcelo Netto e Rogério Medeiros, a fim de que sejam esclarecidos os assassinatos de Fernando Santa Cruz e outros militantes que foram incinerados na usina de açúcar Cambahyba.









Relato de ex-delegado adia reedição de livro


Fonte: Jornal do Commercio (06.05.12)

MEMÓRIA Familiares de Fernando Santa Cruz atrasam nova edição do livro que narra seu desaparecimento para inserir revelações de ex-agente da repressão sobre destino do corpo
Sérgio Montenegro Filho

Era sábado de Carnaval no Rio de Janeiro, naquele dia 23 de março de 1974. O estudante de Direito Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, pernambucano, 26 anos de idade, saiu com alguns amigos para se divertir e desapareceu. Na época, Fernando era militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML), e já tinha seu nome nas listas dos órgãos de repressão. Ao longo de 22 anos, as buscas dos familiares se mostraram infrutíferas. Até a semana passada, quando foi exposto na internet parte do conteúdo do livro Memórias de uma guerra suja, do ex-delegado Cláudio Guerra, que será lançado no final do mês. Nos depoimentos, Guerra que atuou no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Rio de Janeiro releva com detalhes como comandou a incineração de dez corpos de presos políticos torturados nos porões da ditadura. Fernando era um deles.
 
As revelações do ex-delegado que admite, no livro, ter participado de mais de uma centena de execuções de presos políticos coincidiram com os preparativos do relançamento do livro Onde está meu filho?, publicado pela primeira vez em 1985, por um grupo de jornalistas de Pernambuco, que narra toda a história de Fernando Santa Cruz, desde a militância estudantil na resistência à ditadura militar ao período posterior ao seu desaparecimento. A intenção dos seus familiares era, inicialmente, aproveitar a instalação da Comissão da Verdade criada pelo governo federal para apurar os crimes cometidos durante o regime de exceção no País prevista ainda para este semestre, e lançar uma edição revisada do livro, que serviria de subsídio às investigações da comissão.
A entrada de Cláudio Guerra em cena, porém, forçou o adiamento. Precisamos aguardar o livro do ex-delegado para acrescentar as declarações, porque por mais horripilantes que sejam, se forem procedentes, elas respondem à questão-título do nosso livro: o filho foi incinerado”, explica um dos autores, Chico de Assis, jornalista e ex-preso político por mais de nove anos. A ideia, segundo ele, é lançar a nova edição no dia 28 de agosto, no 33º aniversário da promulgação da Lei de Anistia, que “absolveu” parte dos militantes da resistência e agentes da repressão.

Encarregado de organizar a nova edição, Chico de Assis afirma, no entanto, que existe a possibilidade de antecipar o lançamento, para que aconteça em paralelo à instalação da Comissão da Verdade, prevista ainda para este semestre. Ele adianta algumas das novidades que constarão na próxima edição, a ser publicada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). Além das revelações do ex-delegado do Dops sobre o destino do corpo de Fernando Santa Cruz, serão incluídos novos textos e documentos. Um deles, escrito pela socióloga e historiadora Maria Amélia Teles, atualiza os acontecimentos de 1985 – quando saiu a primeira edição – a 1995, quando foi promulgada a Lei dos Desaparecidos Políticos, que instituiu as indenizações pagas pela União aos familiares. “Este artigo trata, inclusive, de acontecimentos como a descoberta das valas comuns no cemitério clandestino de Perus (SP), onde vários corpos foram enterrados anonimamente, conta Assis.
 
A entrevista da mãe de Fernando, dona Elzita Santa Cruz, que consta na edição inicial, será substituída por um texto da sua filha mais velha, Rosalina Santa Cruz – também presa e torturada durante o regime militar –, narrando sua luta para encontrar o filho, que inspirou o título do livro. Haverá ainda artigos da ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e do presidente da Comissão de Anistia do ministério, Paulo Abrão, sobre a criação e funcionamento da Comissão da Verdade. Também terá um da deputada federal Luíza Erundina (PSB-SP), dura crítica da comissão, que ela aponta como superficial, por ter apenas poderes de investigar, mas não de punir os responsáveis pelos crimes cometidos pela repressão.
A nova edição reapresentará uma cópia da carta escrita pelo único filho de Fernando, Felipe Santa Cruz, na época com 11 anos, cobrando das autoridades a volta do pai, e, em seguida, será inserida uma nova carta de Felipe, hoje advogado radicado no Rio de Janeiro, questionando as mesmas autoridades e perguntando quando poderá contar o final da história aos seus quatro filhos, netos de Fernando. Entre os documentos, o livro trará uma cópia do encaminhamento do caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, pelo Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop).

Fechando a nova edição, será acrescentada uma compilação dos fatos apurados sobre o desaparecimento e das principais pistas colhidas. “Esta é uma inserção importante para subsidiar as investigações que vierem a ser realizadas pela Comissão da Verdade”, justifica Chico de Assis. Além dele, assinam o livro os jornalistas Gilvandro Filho, Glória Brandão e Jodeval Duarte, além da jornalista e deputada federal Cristina Tavares, já falecida, que participou da primeira edição, cujos textos serão aproveitados. O escritor e jornalista Nagib Jorge Neto, encarregado da revisão dos originais em 1985, também assina a nova edição.

Advogado cobra ação imediata do governo
 
 
Antes mesmo do lançamento do livro do ex-delegado Cláudio Guerra, o advogado Marcelo Santa Cruz, que integra a Comissão dos Familiares de Mortos e Desaparecidos, encaminhou na sexta-feira passada petição ao Ministério da Justiça. Ele cobra investigações sobre as declarações feitas pelo ex-agente da repressão, particularmente no episódio que envolve a morte do seu irmão, o estudante de Direito Fernando Santa Cruz, desaparecido em fevereiro de 1974. De acordo com os relatos, os cadáveres de Fernando e mais nove outros militantes teriam sido incinerados sob comando do ex-delegado em fornos da usina Cambahyba, no município de Campos (RJ), então pertencente ao ex-vice-governador Heli Ribeiro. “É a primeira vez após 38 anos que há uma informação concreta e objetiva em relação ao sequestro e ocultação de cadáver de meu irmão Fernando Santa Cruz e de seu amigo Eduardo Collier Filho”, justifica Marcelo Santa Cruz, acrescentando que não considera justo que familiares devam se encarregar das investigações, como vêm acontecendo desde então.

Cabe ao Estado Brasileiro, e em especial à Comissão Nacional da Verdade, implementar todos os esforços no sentido de aprofundar as investigações, recepcionando como roteiro o livro Memórias de Uma Guerra Suja, do ex-delegado do Dops”, afirma o advogado, que também solicitou diligências na usina, acompanhado da comissão de familiares dos mortos. Ele pede, ainda, que seja oferecida proteção policial ao autor do livro. “Pela primeira vez alguém responsável pelo trabalho sujo do regime militar resolve denunciar suas abjetas torturas e assassinatos praticados com a conivência do Estado”, diz, aproveitando para cobrar a instalação da Comissão da Verdade, adotando como seu primeiro roteiro investigatório as informações sobre os militantes incinerados na usina.
smontenegrofilho@gmail.com

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Em”Memórias de uma guerra suja” ex-torturador conta que o corpo de Fernando Santa Cruz foi incinenado numa usina do RJ



Publicado em: 02-05-2012 | Por: Inaldo Sampaio | Em: Blog

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Depois que os militantes de esquerda deram sua versão sobre os fatos ocorridos no Brasil durante o regime militar, os militantes da direita, aos poucos, também estão contando o que presenciaram.
Acaba de sair para editor “Topbooks” um livro de autoria do ex-delegado do Dops, Cláudio Guerra, contando fatos escabrosos de que participou como agente da ditadura.
O livro se chama “Memórias de uma guerra suja” e foi escrito com a colaboração dos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros.
Segundo o vereador olindense Marcelo Santa Cruz (PT), o livro traz “revelações bombásticas” sobre alguns dos acontecimentos marcantes das décadas de 70 e 80 como, por exemplo, as bombas do Riocentro, o assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, a morte do delegado Sérgio Fleury, a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão e os nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de estado que se estabeleceu naquele período.
Em seu livro, que servirá de combustível à Comissão da Verdade, o ex-delegado conta que ex-presos políticos cujos corpos nunca foram encontrados como David Capistrano e Fernando Santa Cruz Oliveira (irmão de Marcelo Santa Cruz) tiveram os seus corpos incinerados no forno de uma usina de açúcar localizada na cidade de Campos (RJ).
Fernando Santa Cruz era pernambucano do Recife e militante da Ação Popular Marxista Leninista (APML). Ele desapareceu no RJ em 1973 e nunca mais foi encontrado.

Livro fala do paradeiro de Santa Cruz e Collier



Jornal do Commercio - 03.05.12




MEMÓRIA Ex-delegado Cláudio Guerra assume ter incinerado corpos de dez ex-militantes de esquerda durante a ditadura, entre eles os de Fernando Santa Cruz e de Eduardo CollierSérgio Montenegro Filho
smontenegrofilho@gmail.com

A publicação de um livro de memórias do ex-delegado Cláudio Guerra – que atuou no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) durante o período do regime militar – pode causar uma reviravolta nas investigações sobre alguns desaparecidos políticos durante o regime militar. Entre eles, os pernambucanos Fernando Santa Cruz e Eduardo Collier, sequestrados por agentes da ditadura, cujos corpos nunca foram localizados. Editado pela Topbooks – previsto para ser lançado em 15 dias – o livro Memórias de uma guerra suja foi escrito pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, a partir de depoimentos do ex-delegado colhidos nos últimos dois anos.

No livro, Guerra – que atuou sob comando do temido delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury na perseguição às forças de resistência no País – revela que ele próprio comandou a incineração dos corpos de dez militantes de esquerda, após terem sido torturados, num dos fornos da usina de açúcar Cambahyba, no município de Campos (RJ). A usina pertenceria, na época, ao empresário Heli Ribeiro, ex-vice-governador fluminense. Além dos dois estudantes pernambucanos, pelo menos quatro dirigentes do antigo PCB estariam entre os mortos: David Capistrano, João Massena, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho. Completam a lista João Batista e Joaquim Pires Cerveira, Ana Rosa Kucinski e Wilson Silva.

Declarando-se “um matador em busca da paz”, Guerra admite, nos depoimentos, ter participado do atentado no Riocentro (RJ) – ocorrido em 1º de maio de 1981, durante show do Dia do Trabalho – e confessa seu envolvimento no assassinato de uma centena de pessoas durante a ditadura. Entre outras revelações, afirma que o delegado Sérgio Fleury foi morto por setores das próprias Forças Armadas, como “queima de arquivo”, porque estaria “fugindo ao controle”.

CRÉDITO

A notícia da publicação de Memórias de uma guerra suja causou expectativa entre os familiares dos mortos e desaparecidos, que até hoje tentam encontrar os restos mortais dos seus entes. “O depoimento do ex-delegado merece crédito, porque ele não está acusando ninguém de matar os militantes, e sim admitindo que ele mesmo os matou”, afirma Ivan Seixas, um dos dirigentes da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos. Seixas foi o responsável pelo mapeamento de alguns desaparecimentos no Rio, e diz que os dez nomes dados por Guerra no livro batem com a sua lista. “Agora é esperar o livro sair para checar as informações”, explica.

Irmão do militante Fernando Santa Cruz, o advogado e vereador de Olinda Marcelo Santa Cruz (PT) também é cauteloso ao analisar a questão. Ele já encomendou o livro, e também recomendou ao filho de Fernando, Felipe Santa Cruz – advogado atuando no Rio – que investigue as informações. “É a primeira vez que alguém que participou das torturas e assassinatos resolve falar. Esse livro é um documento, e assim que ele sair, cabe ao Ministério Público e às famílias deflagrarem uma ampla investigação sobre mais essa monstruosidade cometida pela ditadura”, afirma Marcelo.

Para ele, o ex-delegado, assim como outros agentes, agiram como instrumentos da repressão, “mas o grande culpado é o Estado brasileiro”. Há informações de que Guerra estaria, inclusive, sob proteção policial. “Queremos este homem vivo. Ele tem muito a dizer”, completou.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Opinião - João Cavalcanti Ribeiro Júnior

Concordo plenamente, já é tempo, e por merecimento que o nosso vereador Marcelo Santa Cruz seja o indicado para ocupar o cargo de vice prefeito de nossa cidade.

Abraços Poéticos,
João Cavalcanti Ribeiro Júnior

Opinião - Sandete Ferrão


"Que seja você Marcelo o vice de Renildo para que  nossa luta possa ter um defensor"
forte abraço
Sandete Ferrão