quinta-feira, 31 de março de 2016

Marcelo Santa Cruz renuncia à Comissão da Verdade da OAB/Federal

Devido à posição favorável ao impeachment da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB Federal, o advogado, militante dos Direitos Humanos e Vereador Marcelo Santa Cruz renuncia à Comissão da Verdade da OAB/Federal. Leia na íntegra a carta enviada ao Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - Dr. Claudio Lamachia.


Dirijo-me na condição de advogado devidamente inscrito na OAB/PE, sob o nº 133-B e Membro da Comissão da Verdade, com atuação no âmbito do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, designado por ato administrativo de lavra do honrado e digno Presidente Marcos Vinicius Furtado Coelho, que antecedeu a gestão de Vossa Excelência, para manifestar publicamente, minha sincera e verdadeira decepção e inconformismo com a equivocada posição política do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil favorável ao IMPEACHMENT da Presidenta da República Dilma Rousseff.
                Reporto-me ao recente encontro nacional de pensadores do Direito no País que participei no último dia 22 de março, em Brasília, com renomados advogados, professores e juristas de notável saber, onde ficou demonstrado exaustivamente que esse procedimento adotado pelo Conselho Federal da OAB não reúne os requisitos legais e constitucionais que possam tecnicamente tipificar e respaldar juridicamente o crime de responsabilidade, atribuído o seu cometimento à Presidenta da República. Permita-me lembrar, na democracia o que marca e define o prazo do mandato de seus governantes é o rigoroso respeito à soberania do voto popular e em especial no regime presidencialista. Cabe observar, propositadamente fiz a presente carta, datada de 31 de março, que no calendário político da Nação Brasileira traz a triste memória o ano de 1964, quando houve a quebra da ordem constitucional, com o Presidente da República João Goulart e Governadores, legitimamente eleitos pelo voto do povo brasileiro, no meu Estado Miguel Arraes, foram apeados do poder pela Ditadura Civil Militar.
                Desta maneira, servia como pano de fundo, similitude com o que está acontecendo no atual momento político brasileiro, crise econômica, desemprego, campanha sistemática contra a corrupção, muitas das vezes como hoje, desencadeada por quem não tem autoridade para liderar, tendo em vista o seu envolvimento comprometedor com essa nefanda prática criminosa. Examinando o fato histórico, os acontecimentos revelados nos relatórios das Comissões da Verdade, instaladas por esse Brasil afora, ressalta-se o combustível do golpe de 1964, o inconformismo das elites políticas, econômicas, a interferência norte americana e o financiamento de campanhas eleitorais através do Instituto Brasileiro de Ação Democrática – IBAD. Observa-se ainda, que se somaram ao clamor das ruas, a Ordem dos Advogados do Brasil, a Igreja Católica, os grandes industriais, empresários e a mídia, escrita, radiofônica e televisiva, que se contrapunha aos avanços sociais, representados pelo debate e defesa das reformas de base, compreendidas entre elas a Reforma Agrária, Urbana, Universitária, Política Eleitoral e a do Sistema Financeiro, com a limitação da remessa de Royalties, juros e lucros para o exterior.
                No entanto, a memória da história de resistência e a intransigente defesa do Estado Democrático de Direito não permitem esquecer aqueles com coragem cívica e dignidade que honraram todos os advogados e permanecem, portanto, no coração de cada operador do Direito. Refiro-me aos Presidentes Raimundo Faoro, e Eduardo Seabra Fagundes e na seccional de Pernambuco, Dorany Sampaio, Hélio Mariano e Fernando Vasconcelos Coelho, entre outros.
Permita-me ainda saudar todos os advogados que se insurgiram contra o arbítrio e em defesa do Estado de Direito, fazendo na figura emblemática do advogado das liberdades, Sobral Pinto, com quem tive a honra de atuar, na denúncia e defesa dos desaparecidos políticos nos porões da ditadura, entre eles meu irmão Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, sequestrado no Rio de Janeiro, no dia 23 de fevereiro de 1974, junto com o seu amigo e companheiro Eduardo Collier Filho.

                Nesta oportunidade, recomendo que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil tenha acesso aos relatórios das Comissões da Verdade e observe as empresas que financiaram e apoiaram, respaldadas pela mídia (escrita, radiofônica e televisiva), as prisões ilegais, os sequestros, torturas, exílios, assassinatos, desaparecimentos forçados e os atentados terroristas praticados pelas forças da repressão política. Entre muitos, destaco o do Rio Centro e o da Sede da OAB no Estado do Rio de Janeiro, que resultou no covarde e inominável assassinato de Dona Lyda Monteiro, pessoa de quem tive o prazer de privar de seu eficiente e profissional atendimento na recepção de denúncias de sequestros e desaparecimentos de presos políticos. E, em memória da mesma e de todos os advogados que tiveram seus direitos violados, invoco para questionar a equivocada e perigosa posição da OAB que coloca em risco a democracia, pugnando, sem fundamento legal, o IMPEACHMENT da Presidenta da República Dilma Rousseff.
                Diante do que foi explicitado, quero apresentar a V.Exa. minha renúncia em caráter irrevogável e irretratável de Membro da Comissão da Verdade, e que se dê conhecimento da decisão ao presidente da referida Comissão, Dr. Henrique Mariano. Solicito remeter-me decisão referente a minha destituição, proferida no atendimento do pleito em questão e reitero à V.Exa. que pelo assunto tratado na presente, a mesma não é um documento de natureza privada.

Marcelo de Santa Cruz Oliveira
Advogado e Militante dos Direitos Humanos

sábado, 26 de março de 2016

Morre o Sociólogo Clodomir Morais

"Consternado, recebo a notícia do falecimento de meu amigo Clodomir Morares, cuja vida foi devotada a promoção dos excluídos de todo o mundo Ele não dava o peixe, ensinava a pescar Minhas homenagens , Presente, Agora e Sempre." Marcelo Santa Cruz

Cruzou os portais da eternidade o Professor Clodomir Santos de Morais, PHD em Sociologia, militante da liberdade e da democracia. Baiano, de Santa Maria da Vitória, nascido em 30 de setembro de 1928, combateu o bom combate, dedicando sua vida acadêmica e profissional à causa dos empobrecidos da África, da Europa e das Américas. Ao lado de amigos como Paulo Freire, ele sempre combateu pela democracia, trabalhando para que os excluídos sociais não se resignassem ao papel de vítimas, mas se transformassem em protagonistas da própria história, contribuindo com metodologias que podem lhes dar o que ninguém pode tirar-lhes: conhecimento.
Leia mais: https://eliasaraujosite.wordpress.com/2016/03/25/o-professor-clodomir-morais-concluiu-o-bom-combate/#respond

terça-feira, 22 de março de 2016

Marcelo Santa Cruz participa de ato dos Juristas em defesa da presidenta Dilma

Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência da República
Aqueles que pedem a minha renúncia, mostram a fragilidade da sua convicção sobre o processo de impeachment, porque tentam sobretudo ocultar esse golpe contra a democracia. E, posso assegurar a vocês que não compactuarei com isso. Por isso, não renuncio em hipótese alguma", assegurou Dilma Rousseff.



Pensadores do Direito no país, estudiosos da Constituição brasileira, professores universitários, acadêmicos e advogados reuniram-se hoje (22), no Palácio do Planalto - Brasília, em defesa da presidenta Dilma Rousseff e contra o Impeachment. O advogado e vereador Marcelo Santa Cruz marcou presença no evento, representando o Movimento Nacional dos Direitos Humanos e a Rede dos Advogados(as) Populares. O Diretor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE também esteve presente.

Além de Dilma, representaram o governo no ato que recebeu o nome de Encontro com Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia os ministros José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União), Eugênio Aragão (Justiça), Edinho Silva (Comunicação Social) e Jaques Wagner (chefe de gabinete).



No ato de apoio a Dilma, o sub-procurador da República João Pedro de Sabóia Filho afirmou que o estado democrático está “ameaçado” por aqueles que querem “manipular a Justiça” e substituir o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Responsável pela defesa de parte dos réus da Lava Jato, o criminalista Alberto Toron criticou no evento o juiz federal Sérgio Moro, a quem ele chamou de “juiz do principado de Curitiba”. Para Toron, o magistrado paranaense tem “arrombado a legalidade” ao negar regras constitucionais.



“Estamos diante de um paradoxo hoje. Em plena democracia, uma autoridade constitucionalmente incumbida de zelar por valores constitucionais, de zelar pela aplicação reta do direito, perversamente descumpre à luz do dia mandamentos claros, que não comportam muita interpretação", pontuou Toron.

Em seu discurso, Dilma ressaltou que o Ato demonstra para toda a sociedade o grande compromisso na defesa do estado democrático de direito que está disseminado em todos os estados da Federação. Compartilha com todos os cidadãos e cidadãs que tem plena consciência dos riscos de uma ruptura democrática, da monumental perda das árduas conquistas democráticas e sociais obtidas nos últimos anos. "Dirijo-me a vocês com a consciência tranquila de não ter cometido qualquer ato ilícito ou irregularidade que leve a caracterizar crime de responsabilidade. Novamente ser necessário mobilizar a sociedade em torno de uma nova campanha pela legalidade, de fato eu jamais imaginei depois do fim da ditadura. Eu preferia não viver esse momento. Mas, que fique claro, me sobram energia, disposição e respeito à democracia para fazer o enfrentamento necessário à conjuração que ameaça a normalidade constitucional e a estabilidade democrática do País", ressaltou a presidente que foi aplaudida veementemente, aos gritos de "Dilma, guerreira do povo brasileiro" e "não vai ter golpe".

E continuou, "Aqueles que pedem a minha renúncia, mostram a fragilidade da sua convicção sobre o processo de impeachment, porque tentam sobretudo ocultar esse golpe contra a democracia. E, posso assegurar a vocês que não compactuarei com isso. Por isso, não renuncio em hipótese alguma", assegurou Dilma Rousseff.

O Encontro ocorreu após a Ordem dos Advogados do Brasil - OAB se colocar a favor do impeachment, em votação do Conselho Federal desta Ordem.

Olinda - Evento marca o Dia Internacional da Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial




Na data em que se comemora o Dia Internacional da Luta Pela Eliminação da Discriminação Racial - 21 de março, a Prefeitura de Olinda, o Movimento Negro Unificado, além da Secretaria de Desenvolvimento Social, Cidadania e Direitos Humanos promoveram a assinatura do Protocolo de Combate a Discriminação Racial. Uma noite de cultura e homenagens.




O vereador Marcelo Santa Cruz prestigiou o evento que contou também com a presença do vice-prefeito Enildo Arantes; da ministra Nilma Gomes, do Ministério da Mulher, Igualdade Racial, Juventude e Direitos Humanos; além das presenças do secretário de Desenvolvimento Social Cidadania e Direitos Humanos de Olinda, Humberto de Jesus, e da deputada estadual Teresa Leitão (PT).



A Convenção Internacional para a Eliminação de todas as Normas de Discriminação Racial da ONU, ratificada pelo Brasil, diz que: “Discriminação Racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e/ou exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida”.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Marcelo Santa Cruz se reúne em Brasília com juristas e a Presidenta Dilma

O Vereador Marcelo Santa Cruz participará nesta terça-feira (22/03), de reunião de Advogados e Juristas da Legalidade Democrática, no Palácio do Planalto, com a Presidenta DILMA ROUSSEFF, representando o Movimento Nacional dos Direitos Humanos - MNDH (Advogado e Militante dos Direitos Humanos - (Pernambuco).


A DITADURA DA TOGA É TÃO PERVERSA QUANTO A DA FARDA.
DITADURA NUNCA MAIS

Ato na Faculdade de Direito contra o golpe, na noite de hoje (21), no centro do Recife

A instituição divulgou nota oficial em defesa do Governo Federal, observando a Constituição, prudência para superar a crise política, a importância do combate à corrupção, a defesa da democracia e dos direitos do povo.




Nota de Repúdio aos Ataques à Democracia Brasileira


Integrantes da comunidade acadêmica da Faculdade de Direito do Recife-UFPE, que subscrevem esta nota, vêm tornar público seu repúdio aos ataques à democracia brasileira, bem como sua defesa a preservação dos direitos e garantias fundamentais, conquistados após longos e duros entraves na história do país.
Sabemos da importância do combate à corrupção. As instituições precisam cumprir seu papel. A consolidação democrática exige, pois, a responsabilidade com o patrimônio público e a devida reprimenda dos que contra ele atentam.
Esse combate, entretanto, deve acontecer estritamente dentro dos marcos do Estado Democrático de Direito e da Constituição cidadã de 1988. Não é razoável que os procedimentos judiciais se tornem espetáculos midiáticos que desobedecem ao desenvolvimento regular de um processo, ignorando a serenidade e prudência necessárias a um correto julgamento.
Grampos telefônicos verificados em escritórios de advocacia e advogados de investigados comprometem o sigilo profissional; conduções coercitivas em desacordo com o disposto no Código Processo Penal descumprem o devido processo legal; divulgação de conversas telefônicas sem conteúdo criminal, oriundas de grampos, que foram realizados mesmo após o fim da autorização judicial, e desconsideração das competências constitucionalmente estabelecidas para investigação de autoridades com prerrogativa de foro constituem atos judiciais exercitados em desacordo à legalidade estabelecida, violam e comprometem os direitos fundamentais que asseguram um Estado que se pretenda democrático de direito.
A Constituição não é supérflua em estabelecer direitos e garantias aos indivíduos. O Estado de exceção deixou na sociedade brasileira marcas profundas de autoritarismo, até hoje não totalmente superadas em nossas instituições. É nesse contexto que a Universidade não deve apenas para preparar profissionais para servir ao mercado ou desempenhar acriticamente suas funções em gabinetes, há uma dimensão pedagógica que impõe a formação dos juristas para atuar conscientemente na sociedade em que se insere e, portanto, pronto para defender a democracia e os direitos do povo. Tais violações se inserem dentro dessa lógica de educação que costuma ignorar uma formação humanista voltada para preparar as pessoas a lidar com as diferenças e faz com que violações aos direitos constitucionais sejam corriqueiros nas vidas dos brasileiros/as negros/as e pobres.
O poder judiciário possui enorme responsabilidade em ser guardião dos direitos e garantias fundamentais, pois recebeu a missão constitucional de instância protetora dos mesmos. Para tal, a Lei Maior também estabeleceu mecanismos de limitação da atuação judicial a fim de impedir o uso abusivo do poder. Instituiu a garantia ao devido processo legal, que se desdobra na vedação às provas ilícitas, ampla defesa, contraditório, entre outros direitos, denotando da leitura sistemática do artigo 5° da Carta Cidadã a necessidade do julgador investigar, processar e punir os delitos, mas sem desrespeitar direitos individuais.
Afinal, nenhuma autoridade está acima da Constituição, e isso vale para qualquer cidadão/ã, de magistrados/as a presidentes/as da República.
Por mais nobres que possam ser as intenções, os fins não justificam os meios.
Toda prudência é necessária para que possamos superar estes momentos de crise política, sem abrir mão das conquistas democráticas já alcançadas. Cuidemos com muito carinho e firmeza do nosso ainda jovem Estado democrático de direito."
Além das Grades
Alexandre da Maia
Alexandre Pimentel
André Dantas
Ângela Simões
Artur Stamford
Bruno Galindo
Coletivo Quilombo
Contestação
Cristiniana Freire
Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho
Everaldo Gaspar
Fabíola Albuquerque
Francisco Queiroz
Gustavo Ferreira
Gustavo Just
Hugo Melo
João Paulo Allain
Juliana Teixeira
Liana Cirne Lins
Luciana Grassano
Manuela Abath
Maria Lúcia Barbosa
"Maria, vem com as outras!"
Marília Montenegro
Maurício Rands
Movimento ADefinir
Movimento Zoada
Núcleo de Assessoria Jurídica Popular
Paulo Lôbo
Torquato Castro
Walber Agra
Recife, 20 de Março de 2016.
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Endossam esta nota:
Adriana Rocha - UNICAP
Aida Monteiro (UFPE - Educação)
Allene Lage (UFPE – Pedagogia)
André Carneiro Leão - Doutorando UFPE
André Lucas Fernandes - Mestrando PPGD/UFPE
Carolina Ferraz - UNICAP
Carolina Salazar AESO - UNINASSAU
Catarina Oliveira – UNICAP
Erica Babini - UNICAP
Fernanda Fonseca - UNICAP
Fernando Henrique de Andrade Melo Ribeiro - Técnico Judiciário -TJPE.
Geraldo Vilar –DPU
Glauco Salomão UNICAP - UFPB
Helena Castro - AESO
Hugo Leonardo Rodrigues Santos - UFAL e Centro Universitário CESMAC
Larissa Ximenes de Castilho - Mestranda PPGD/UFPE.
Marcelo Labanca - UNICAP
Maria Rita Holanda - UNICAP
Pedro Henrique Alcântara - mestre PPGCP UFPE e doutorando PGCS UFRN
Sandro Sayão (UFPE - Filosofia)
Vanessa Pedroso - UNICAP