quinta-feira, 10 de março de 2016

Geladeiras estimulam leitura em espaços públicos de Olinda


Pedro Moura, um dos idealizadores, abastece geladoteca da Praça do Jacaré pela terceira vez em quatro dias / Alexandre Gondim/JC Imagem

Pedro Moura, um dos idealizadores, abastece geladoteca da Praça do Jacaré pela terceira vez em quatro dias

Alexandre Gondim/JC Imagem


Elas saíram da periferia e estão invadindo o Sítio Histórico de Olinda. Há quatro dias, aportaram em locais inusitados: um ponto de ônibus, na Praça do Jacaré, e no meio da Praça dos Milagres. No próximo domingo chegam à Praça do Carmo. São as geladotecas, geladeiras transformadas em bibliotecas com a missão de levar literatura, educação e cultura a espaços públicos da Cidade Patrimônio da Humanidade.
O projeto é desenvolvido pelo Coletivo Beco Cultural – formado por estudantes, artistas e profissionais liberais – e começou há seis meses, no bairro de Ouro Preto, que já conta com sete geladotecas. Eram oito, mas uma pegou fogo, junto com um carro abandonado, no último domingo. O caso está sob investigação. “Ouro Preto é o segundo maior bairro da cidade e não tem uma biblioteca, então a ação também se torna uma crítica”, destaca o estudante de Ciências Sociais Pedro Moura, 28 anos, um dos idealizadores do projeto.
Há quem pergunte se ninguém rouba os livros, já que estão expostos livremente. “Na verdade, as pessoas podem pegar o livro emprestado e depois devolver, podem ficar com ele, lê-lo no local e também fazer doações. O espaço é livre, a ideia é disseminar mesmo a leitura e ajudar o meio ambiente”, esclarece Pedro, enquanto reabastece o equipamento da Praça do Jacaré pela terceira vez. “Há um fluxo grande aqui, muitos livros já saíram, mas as doações também estão chegando. Recebemos cinco mil livros de um estabelecimento que fechou”.
Os títulos são bastante variados e incluem os didáticos. “Tem muita coisa interessante, já li uns livros sobre Olinda”, afirma a ambulante Dalva Campos, 54 anos, que trabalha ao lado do ponto de ônibus da Praça do Jacaré e diz ver bastante movimento no local. “Tem gente que vem e coloca livros aí, vou trazer uns que tenho em casa”, declara.
O Coletivo Beco Cultural surgiu há cinco anos. “A Rua Atlântico, em Ouro Preto, era conhecida como o Beco da Maconha. Resolvemos mudar aquilo e estimular a cultura no bairro, que é o maior exportador de produtores culturais em Pernambuco. Limpamos o local, pintamos tudo e organizamos o festival Agosto Beco Cultural, que vai entrar na sua quinta edição e atrai entre 1,5 mil e duas mil pessoas”, conta Pedro. “O evento reúne música (com bandas locais), capoeira, intervenções artísticas e oferece brinquedos para crianças, indo das 9h a 0h”.
A rádio comunitária Diálogos FM, localizada no centro comercial de Ouro Preto, participa do Coletivo e está recebendo  doações. Quem achar melhor também pode deixar livros nas próprias geladotecas, ou  entrar em contato com os responsáveis pelo projeto nos telefones  986666.3464 e 99656 0375 ou pela página do Coletivo Beco Cultural no Facebook.

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